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Matéria da Revista Veja
Beleza
Para trás e para o alto
A bioplastia, que usa um gel modelador,
compete com o implante de próteses na
busca dos glúteos perfeitos
Roberta Salomone
O leque de escolhas para contornar a genética ou dobrar a lei da gravidade e conseguir um derrière arredondado e durinho inclui uma variedade de tratamentos, cremes e massagens. Quase nada (ou nada mesmo) dá o resultado esperado, o que faz com que toda e qualquer novidade nessa área provoque intenso alvoroço das interessadas – mais intenso ainda quando a promessa é de resultado imediato, esforço zero e praticamente nenhuma dor. Este, exatamente, é o cenário ideal pintado pela bioplastia, técnica que consiste em injetar em partes do corpo necessitadas de correções, nádegas inclusive, uma substância derivada de petróleo chamada polimetilmetacrilato (PMMA). Trata-se de uma espécie de gel desenvolvido para a fixação de implantes ortopédicos e das lentes corretoras usadas em cirurgia de catarata que superou amplamente seu propósito inicial, passando a ser utilizado no rosto, para consertar pequenas imperfeições, sulcos e rugas, e posteriormente em áreas do corpo necessitadas de volume – peitoral e panturrilha, em geral nos homens, e glúteos, nas mulheres.
A intervenção, relativamente simples, pode ser feita no consultório médico, com anestesia local, em no máximo 45 minutos. Não há cicatriz e a paciente pode retomar o trabalho no mesmo dia e os exercícios físicos em três dias. Problema: é uma substância nova, de efeitos não testados a longo prazo e, uma vez aplicada, não pode mais ser removida. Ou seja, anos depois, aquele ponto moldado pelo médico poderá ser uma ilha redonda e durinha cercada de flacidez por todos os lados. A alternativa à aplicação do gel é a gluteoplastia convencional, que consiste em implantar sob o músculo duas próteses de silicone. É dolorida, exige internação e tem recuperação difícil – mas é reversível, motivo pelo qual a apresentadora Ana Maria Braga optou por ela ao decidir, recentemente, remodelar a retaguarda.
Confrontadas com a alternativa, muitas candidatas não se intimidam diante da perspectiva de futuro incerto representada pela bioplastia. "Queria que meu bumbum ficasse mais redondo e consegui", comemora a dançarina Simone Pinheiro, 34 anos, que colocou 140 mililitros de PMMA há três meses. O produto é injetado na musculatura média dos glúteos por cânulas muito finas. Quando o gel chega ao destino, o médico molda o formato com as mãos – rapidamente, já que o PMMA endurece logo. Durante o procedimento, a paciente pode levantar-se e conferir o resultado no espelho quantas vezes quiser, inclusive dando palpites sobre o volume. "É simples, mas muito arriscado. Não há estudos que mostrem como a substância reagirá no organismo anos depois", alerta Sérgio Carreirão, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Aloizio Faria de Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, já atendeu algumas pacientes com complicações causadas pela bioplastia, como inchaço, reações alérgicas e necrose. "O PMMA só deve ser usado em pequenas quantidades. Injetar 100 mililitros no corpo é um absurdo", diz o especialista.
O motivo principal da restrição é que o gel não é absorvido pelo organismo, e uma eventual cirurgia para retirar a substância do corpo será complicada e deixará cicatrizes grandes. Além disso, a técnica não funciona em todas as mulheres. Ajuda, sim, a aumentar os glúteos, a corrigir pequenas depressões e a melhorar os contornos, mas o bom resultado depende diretamente da rigidez da musculatura de cada paciente. "Uma mulher de 50 anos com bumbum caído nem precisa tentar", diz o cirurgião vascular Márcio Dantas de Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual, que já fez mais de 1.000 bioplastias. Ana Maria, 56 anos, bumbum prejudicado por um regime ("Emagreci e ele caiu"), optou pela prótese, apesar do sofrimento: teve um pós-operatório doloroso, ficou uma semana sem sentar, dormiu dez dias de bruços e usou uma cinta compressora apertadíssima. Considera que valeu a pena. "Sempre gostei de usar biquíni e calça justa. Agora, estou de volta à minha forma", festeja. A gluteoplastia requer anestesia peridural com sedação e leva em média duas horas. As próteses de silicone são inseridas através de um corte acima do cóccix. Para quem tem a musculatura dos glúteos muito fina e flácida, a cirurgia não funciona e o resultado fica artificial. "A maioria das pacientes que fazem lipoaspiração gostaria de usar a gordura removida para remoldar os glúteos, mas nem sempre isso é possível. Recorremos então ao implante", diz a cirurgiã plástica Ana Helena Patrus, dona da Clínica Santé, em São Paulo. Difícil é conter o impulso de conseguir um resultado de alto impacto. "Definir um tamanho adequado é fundamental. Exageros podem causar sérios problemas na coluna. É preciso bom senso", avisa o marido e sócio de Ana Helena, o cirurgião plástico Leonard Bannet
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